
Baseado no livro de enorme sucesso de Fernando Gabeira, O que é isso, Companheiro? conta a história do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick por um grupo de jovens militantes de esquerda, em 1969 - um dos fatos de maior impacto político da história recente do Brasil.
O filme é dirigido por Bruno Barreto - recordista de público do cinema brasileiro, com mais de 12 milhões de expectadores -, que volta a filmar no Brasil depois de seis anos nos EUA.
O elenco traz o ator americano Alan Arkin no papel do embaixador, Pedro Cardoso, como Fernando Gabeira, e também Fernanda Torres, Luís Fernando Guimarães, Cláudia Abreu, Nelson Dantas e as participações especiais de Fernanda Montenegro, Milton Gonçalves e Othon Bastos.
Minha opinião:
Uma das melhores produções da indústria cinematográfica brasileira. Com uma fotografia excelente, o filme é capaz de reconstituir de maneira exemplar, cenas de um momento histórico na vida política nacional. Apesar de ser de uma geração que não vivenciou os “Anos de chumbo”, pude mergulhar emocionalmente nos conflitos daquela época e captar toda a tensão, a injustiça, a ideologia tanto do regime militar quanto a de uma juventude que repleta de ideais, adotava táticas de guerrilha para demonstrar sua oposição ao governo, mas não apenas isso. Aqueles jovens que compunham o MR8 e a ANL, que no filme são interpretados por atores e atrizes nacionais da melhor qualidade, conseguiram me mostrar o papel político e social que exerciam dentro de um período altamente repressivo e conturbado. O que mais me deixou marcada era a determinação e a coragem com que atuavam em busca de suas ideias políticas.

Considero que a construção dos diálogos entre os personagens que compunham o Movimento Revolucionário foi importante para se conseguir compreender o que se passava na cabeça daqueles jovens e para mostrar também seu lado humano, o lado em que não passavam de pessoas de boa índole, que apenas almejavam um futuro melhor. Isso fica explicíto na cena em que a personagem vivida por Cláudia Abreu, cuida dos ferimentos do Embaixador americano, apesar de seu grupo o estar mantendo em cativeiro, e também quando todo o grupo demonstra tristeza por ter de executá-lo.
Mas falando em lado humano, o que na minha opinião é absolutamente dispensável, são as cenas em que se tenta humanizar a figura do torturador. Henrique, personagem vivido por Marco Ricca e que trabalha para os orgãos de repressão da Ditadura, passa a imagem de um funcionário do governo correto, que atua em defesa da ordem nacional. Se a ideia central era retratar a maneira como agia e se organizava o MR8, essa cena além de inútil, foge do objetivo principal.
Fora essa minha pequena decepção, no geral, posso afirmar que o documentário conseguiu me transportar para aquele mês de setembro de 1969, seja pela ótima fotografia e reconstituição de época ou pela ótima atuação dos artistas envolvidos, o filme me fez vivenciar em 105 minutos, toda a agitação dos tempos de guerrilha urbana, de movimentação estudantil, de AI-5 e claro, de grande repressão. As conclusões que tirei é que mesmo não sendo uma acusação dos crimes cometidos pela Ditadura, esse documentário me mostrou o lado da juventude, uma juventude com ideais muito determinados, mas que exatamente por não terem tido o apoio da maioria da sociedade ( pelo menos é o que se retrata no filme, quando os cidadãos comuns denunciam o movimento, tanto na cena do sequestro, quanto na do padeiro que suspeita de um dos jovens que vai comprar os frangos), não conseguem conquistar o poder político, mas deixam sua marca na história e o exemplo de coragem que caracterizou os movimentos estudantis da época.
Por tudo isso, acredito que esse filme é de grande importância não só para o cinema brasileiro, mas como documentação de um fato importantissímo de ser conhecido pela minha geração e pelas próximas.
Bem, essa crítica feita por mim foi desenvolvida para um trabalho de Comunicação e fatos contemporâneos. Achei muito válido a exibição do filme pelo meu querido professor e grande jornalista Roberto Assaf. Eu já havia escutado a respeito deste filme, mas nunca tive a oportunidade de assisti-lo, e ao vê-lo na faculdade, realmente achei maravilhoso. Eu não sou nenhuma especialista no assunto, e inclusive, como já disse, venho de uma geração nascida quase três décadas após esse fato, mas me interesso bastante por esse determinado momento político da história nacional e admiro muito as atitudes tomadas pelos jovens e intelectuais da época. Ao meu ver, demonstraram muita determinação e coragem. Eles agiam de uma forma que as gerações atuais não conseguem atuar. E quando falo isso, não estou fazendo crítica a ninguém, apenas expondo minha visão da situação. Não posso deixar de acrescentar que o elenco me agradou demais e que para mim, o filme acrescentou muito.
Recebi nota 10 por esta crítica, e nota 10 também no trabalho que desenvolvi para a matéria Teoria da Comunicação, na qual falei sobre o jornal Vencer. Quanto ao trabalho de Filosofia, no qual eu e meu grupo, falamos sobre sociedade disciplinar e sociade de controle, recebemos 8,5.
E com a entrega desses trabalhos e da realização de mais algumas provas, deu-se fim o meu primeiro semestre de faculdade. Ainda não consegui assimilar direito a rapidez com que se deu isso. Foi há apenas algumas semanas que eu estava estudando desesperadamente para os exames de vestibular, roendo todas as unhas aguardando os resultados...
O Estágio na Vale começa dia 12 deste mês e eu estou ansiosa para que chegue logo o dia, quero começar a trabalhar, conhecer as novas pessoas com quem irei me relacionar e sobretudo aprender e absorver tudo o que eu puder dessa minha primeira experiência profissional.
Agora,com as férias, estou aproveitando para cuidar um pouco da saúde física também. Algumas semanas de academia até a volta às aulas não me farão nenhum mal, por isso tomei a iniciativa tão logo deu-se por encerrada minhas aulas. Apesar da dor muscular, eu estou me sentindo muito bem.
E é isso! Agora é só aguardar o dia 12 chegar e eu vir documentar as novidades.






