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sexta-feira, 18 de junho de 2010

As sociedades alienizantes de disciplina e controle



É difícil pensar no conceito de sociedade disciplinar e não associá-lo a figura de Adolf Hitler. Essa associação se torna ainda mais clara quando se assiste aos 110 minutos de propaganda nazista, dirigida pela cineasta Leni Riefenftahl, de 1934 e intitulada de “O triunfo da vontade”. Nela, podemos observar todos os aspectos de um Estado que aplica o confinamento e as técnicas de disciplina nos indivíduos e que são usadas como meio de exercer seu poder absoluto sobre os homens, vigiando-os, treinando-os, utilizando-os quando e no que lhe é útil e eventualmente punindo-os e fazendo de suas diversas instituições arquitetônicas, como prisões, escolas, hospitais, sanatórios, dentre outras, um meio de punição, de ensinamento da disciplina e de controle dos corpos.
No filme em preto e branco e produzido a mais de 70 anos, se apresenta à imagem do soberano que não apenas é respeitado e temido, mas idolatrado. Seu discurso e sua ideologia são completamente absorvidos pela massa alienada, que se submete cegamente ao poder do partido, recebendo-o e saudando-o de forma extasiada e dotada de reverências.
O seguimento das normas impostas através das técnicas disciplinares é claramente observada no documentário pela imagem do povo alemão, que é apresentado como uma raça puramente ariana, jovem, saudável e limpa. O caráter militar que é imposto pelo Fuhrer é observado nos uniformes da juventude hitlerista, nas reverências e também nos movimentos e no alinhamento dos corpos. Hitler é o maior exemplo de poder soberano, totalitário e arbitrário. Ele tem a sociedade a sua mercê, exercendo decisões sobre a morte e sobre o gerenciamento da vida de cada indivíduo. Quando falamos em morte é importante ressaltar que num segundo momento, com a Alemanha já em estado de guerra, o racismo de Estado foi o pretexto adotado para se exterminarem milhões de indivíduos, tanto cidadãos alemães como judeus e todos aqueles considerados impuros. Os cidadãos eram enviados para a guerra com a responsabilidade de matar e morrer, em nome da honra e da pureza da raça. As outras raças, vitimadas por esse violento racismo, eram consideradas abomináveis e merecedoras do extermínio. Percebe-se que a ideologia nazista se preocupava mais em fazer morrer do que deixar viver a partir do momento em que via na morte de seres de sua própria raça, a contribuição para a purificação e saúde da mesma. Com esse pensamento ideológico tão forte e devastador o partido Nacional Socialista Alemão foi capaz de reduzir milhares de indivíduos a pilhas de corpos e ossos, que se multiplicavam a cada dia nos campos de concentração, após serem exaustivamente castigados e usados em nome do trabalho. No documentário Noite e Neblina de Alain Resnais, têm-se as imagens mais realistas e aterradoras das perversões a que esse Estado foi capaz de submeter seus indivíduos. A estratégia de usar o trabalho como o meio para a libertação da alma, mostra de maneira exemplar a execução do “fazer morrer, deixar viver”.


(Na imagem, campo de concentração em Auschwitz)

Aos indivíduos levados para os campos, lhes era permitido o direito de sobrevivência enquanto pudessem trabalhar ou serem vítimas de experimentos científicos e práticas sexuais escravas. Mas no momento que o Estado achasse conveniente, suas vidas eram tiradas e nem assim seus corpos deixavam de ser explorados de alguma maneira. Seus pertences e seus restos mortais eram aproveitados na fabricação e comércio de produtos industrializados. Em vista disso, temos um Estado que adotou plenamente todas as tecnologias de uma sociedade disciplinar, não restringindo a decisão de morte porém, apenas ao chefe supremo, mas também a vários outros cidadãos que detiveram o poder sobre a vida e a morte de muitos outros. Para citar exemplos, a Gestapo, a SS, os soldados de guerra, os cidadãos que podiam fazer denúncias e todos aqueles que de alguma forma direta ou indireta contribuíram para a morte de seres humanos. Assim, o poder assassino e soberano se ampliava a todo o corpo social.


(crematório de corpos humanos em Auschwitz)



(médicos nazistas utilizando seres humanos como cobaia)


O nazismo teve um fim, mas a sociedade disciplinar, em contrapartida, simplesmente evoluiu para uma sociedade mais sofisticada, onde se torna possível organizar os indivíduos na totalidade de suas atividades, onde o exercício da disciplina se torna em exercício do controle. A sociedade de controle, surgida no pós 2º guerra, se caracteriza pela invisibilidade que se expande junto às redes de informação.



Nesse estágio, a disciplina é exercida por três meios globais absolutos: o medo, o julgamento e a destruição. Pelo fato dos indivíduos deste tipo de organização social serem mais móveis e flexíveis, já não pertencem a nenhuma identidade e sim a códigos, se tornando divisíveis, já que os códigos podem determinar se você é você ou não em determinadas situações. Um exemplo bem claro é quando sem nenhum motivo aparente alguém tem sua senha de cartão de crédito recusada, essa pessoa sabe que o cartão lhe pertence, mas o código, que no caso é a senha que lhe foi designada como pessoal e intransferível, coloca em dúvida a autenticidade do “ser”. Isso é conseqüência de um mundo informatizado e virtual, onde a vigilância é constante e a privacidade é altamente banalizada. Parece que Orwell, ao escrever seu célebre romance político intitulado “1984”, já previa esse caráter vigilante e invasor das sociedades atuais. Na trama fictícia, a Oceania, governada pelo “Grande irmão”, é uma nação onde as pessoas vivem vigiadas a todo o instante por câmeras instaladas em suas casas e em seus ambientes de trabalho. As teletelas, que na história é o meio que o partido encontra para vigiar os indivíduos, são para nossa sociedade, as câmeras de vigilância instaladas em lugares públicos e inclusive dentro de nossas casas. Podemos até não ter a polícia do pensamento, como há na trama, mas os equipamentos tecnológicos são cada vez mais capazes de decodificar mensagens e rastrear indivíduos tanto no meio espacial quanto no virtual. Por tudo isso, vale ressaltar que a sociedade de controle é tão ou mais tirana quanto a disciplinar, mas sua ideologia também é tão ou mais contaminante que a de outrora e os indivíduos já aderiram completamente a ela. O que se observa hoje é a banalização completa da privacidade e a busca constante pelo reconhecimento. O anonimato hoje em dia, assusta e pode até causar depressão. A indústria cultural se aproveita bastante disso, transformando em entretenimento as invasões de privacidade e promovendo a saída do anonimato. E os lucros com esse determinado produto conquistam as massas de tal forma, que é impossível negar o alto grau de alienação exercido pela sociedade de controle.


Texto elaborado por mim para um trabalho de Filosofia na faculdade.

5 comentários:

Quelli Ramos disse...

Rafa, muito bom seu trabalho. Achei sua análise muito completa e bem fundamentada, demonstra bastante conhecimento e domínio sobre o que vc abordou. Parabéns!
Vai tirar 10! (yn)

Rafaela disse...

ow, obrigada Quelli!

jack hazut disse...

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Jack Hazut
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